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sábado, 3 de outubro de 2009

Postagem de 03.10.2009



Apesar da vergonha que sinto em ter o Rio de Janeiro como cartão postal e espelho do meu país, não posso esconder minha surpresa e minha satisfação em saber que ele albergará as Olimpíadas em 2016. Desta vez, o Brasil, como em um jogo de sinuca, encaçapou duas bolas de uma vez, na mesma década, pois, nos anos 2010, sediará duas grandes competições internacionais, com um hiato de dois anos entre elas: a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Em outra oportunidade, quero comentar aqui a respeito da copa. Espero que possamos nos esforçar mais para que, até 2014, resolvamos a maior parte de nossas mazelas sociais. Apesar de o Rio estar longe de ser um modelo de qualidade de vida e de ser uma péssima influência para o resto do país, acredito que ele esteja apto a receber os Jogos Olímpicos. Isto ficou provado por “A + B”, quando o Rio foi sede dos Jogos Panamericanos de 2007. Correu tudo bem, apesar de os organizadores e o poder público terem dormido no ponto e executado a maioria das obras em cima da hora.
Me surpreendi porque achei que Tóquio seria a escolhida, por ter mais pontos positivos que as outras candidatas, entre eles o de ter mais vagas disponíveis em hotéis. Ainda bem que não foi, porque Tóquio já sediou uma vez, em 1964. Os outros países envolvidos também já receberam olimpíadas. O Brasil, assim como a maioria dos países subdesenvolvidos, nunca. O único deste grupo que conseguiu tal proeza até agora foi o México, em 1968. Naquela ocasião, dois atletas afro-descendentes norte-americanos, ao subirem ao pódio para receberem suas medalhas, fizeram o símbolo gesto de protesto dos black powers contra a opressão sofrida pelas pessoas de cor nos EUA. Pagaram caro por aquilo. Eles se tornaram símbolo da luta contra as desigualdades raciais, mas isto foi o fim de suas carreiras esportivas. Até um atleta australiano que subiu ao pódio com um deles e os apoiou abertamente foi apenado, do mesmo modo. São mártires do esporte. Deus os abençoe (http://en.wikipedia.org/wiki/John_Carlos).





Um dia desses, no Jornal da Globo, Arnaldo Jabor lamentou que, nos países que receberam olimpíadas recentemente, a maior parte da infra-estrutura esportiva montada ficou subutilizada ou até mesmo sucateada, após os eventos. Foi o caso de Atenas. Renovam-se as esperanças de que a vinda de dois grandes eventos esportivos internacionais ao Brasil incentive a prática de esportes entre crianças e adolescentes e de que os governos também incentivem essa prática no sentido de aumentar as oportunidades profissionais e de reduzir as desigualdades sociais. Espero que isso não seja mais uma vez “fogo de palha”, como se diz naquela clássica parábola do semeador, contada no Evangelho, que fala sobre sementes que chegaram a germinar, ao caírem em solo pedregoso, mas que não cresceram muito porque o solo era raso, pouco fértil, com raízes superficiais, e que acabaram ressecadas pelo sol. Comparo isso com a empolgação efêmera que contagia os brasileiros, durante as eleições, as olimpíadas e as copas:

"Eis que o semeador saiu a semear.
E quando semeava, uma parte da semente caiu ao pé do caminho, e vieram as aves, e comeram-na;
E outra parte caiu em pedregais, onde não havia terra bastante, e logo nasceu, porque não tinha terra funda;
Mas vindo o sol, queimou-se, e secou-se, porque não tinha raiz.
E outra caiu entre espinhos, e os espinhos cresceram, e sufocaram-na.
E outra caiu em boa terra, e deu fruto: um a cem, outro a sessenta e outro a trinta.
Quem tem ouvidos para ouvir, ouça".

Mateus 13:4-9.
        
Enfim, apesar dos pesares, boa sorte para nós brasileiros e mãos à obra. Quem sabe um dia o esporte e a educação melhorem nossa qualidade de vida.
Saiba mais em:
Veja também a opinião do companheiro Felipe sobre o assunto: http://comcienciabrasil.blogspot.com/2008/09/pan-americano-do-brasil.html.

Relembrando a situação com reféns em Sobral que contei na última postagem (http://conscienciaacademica.blogspot.com/2009/10/postagem-de-01102009.html), gostaria que os policiais daqui lessem a seguinte notícia e aprendessem com os paulistas: http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL1328197-5605,00-POLICIA+LIBERTA+REFEM+DEPOIS+DE+SEIS+HORAS+DE+NEGOCIACAO+EM+SP.html.



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sábado, 18 de julho de 2009

59ª Edição de 2009

Dois lados de uma moeda



Conta Consciência Acadêmica


Lado A

Ontem fez quinze anos da conquista do tetracampeonato mundial de futebol para o Brasil, na Copa de 94. Não entendo porque a TV não tocou no tema. Só me lembrei quando vi uma reportagem no UOL. Sinceramente, aquela foi a melhor Copa do Mundo que eu já acompanhei, não apenas porque o Brasil ganhou, mas porque eu acredito que foi a melhor atuação da seleção brasileira em copas que eu já vi. Nunca mais os vi jogando com a mesma garra, nem com a mesma técnica e nem com a mesma seriedade. Tinha tudo para ir longe e se tornar uma das melhores equipes do campeonato, mas não imaginava que pudesse vencê-lo. Naquele momento, nossa querida seleção estava desacreditada que ninguém esperava por isso. Os jogos foram passando, a empolgação aumentando e veja aonde chegamos. Em 98, aparentemente a seleção tinha tudo para repetir a façanha, mas já entrou com o pé esquerdo no clima da competição: estavam todos acomodados com a vaga garantida naquela copa e ainda ébrios por causa da vitória na copa anterior, mídia fazendo sensacionalismo com a imagem de Ronaldo "Fenômeno", que apresentou história questionável de convulsão, no dia da final, e Romário dispensado em cima da hora. Em outras palavras: muito salto alto. Em 2002, não sei bem explicar o porquê, mas achei aquela copa meio sem graça, embora o Brasil tenha vencido. Talvez porque tenha vencido quase todas as partidas com muita facilidade. Em 2006, os pentacampeões entraram de salto alto outra vez e assumiram que são fregueses dos franceses.

Enfim, vamos recordar apenas o que é bom. Saiba mais sobre a receita de sucesso que levou ao tetra em http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas-noticias/2009/07/17/ult59u199801.jhtm e http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Times/Selecao_Brasileira/0,,MUL1231171-15071,00-HA+ANOS+UM+SONHO+SE+TORNAVA+REALIDADE+BRASIL+TETRACAMPEAO.html. Pena que essa receita não funcionou mais. Em outra oportunidade, vou comentar o que acho de uma parte da Copa do Mundo de 2014 vir a acontecer em Fortaleza. Por hora, vamos relembrar a glória do tetra. Eu me sinto lisonjeado porque tive a honra de ver as cenas a seguir e isso eu poderei contar aos meus filhos com muito orgulho. Por falar em filhos, aquele gol de Bebeto entrou para a história. E o gol "raio-x" de Branco? Fenomenal. Mesmo assim, ainda acho que a Seleção Brasileira é para jogar com a camisa amarela sempre, nada de azul.







Hoje, a tendência é que as copas percam a graça. As opções para assistir às partidas estão mais escassas, pois apenas duas redes de televisão, uma aberta e uma fechada, estão transmitindo os jogos, desde 2002. Me lembro que vi quase todos os jogos de 94 pela BAND, com a narração de Luciano do Vale.


Lado B

Por outro lado, ontem fez dois anos daquele acidente envolvendo um avião da TAM, logo depois que ele acabou de pousar, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, alguns meses após outra tragédia aérea, causada pelo choque de duas aeronaves. Aquilo agravou a crise no setor aeronáutico que já se desenrolava. Comentei sobre isto, ano passado, em http://conscienciaacademica.blogspot.com/2008/07/tragdia-da-tam-one-year-later.html.

Impressiona o quanto a vida perdeu valor durante estes anos, pois de lá para cá ninguém tomou providências para evitar que desastres aéreos voltassem a acontecer. Até parece que alguem ganha com isso. Logo eles tornaram-se mais freqüentes. Há alguns meses, um jato particular transportando uma família caiu no litoral baiano. Cerca de uma semana depois, um Airbus que seguia do Rio de Janeiro para Paris caiu no mar. Esta semana, um avião executivo brasileiro caiu na Venezuela (http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL1234092-5598,00-SUPOSTOS+DESTROCOS+DE+AVIAO+DESAPARECIDO+SAO+ENCONTRADOS.html). Impressiona que esses acidentes aéreos nunca deixam sobreviventes. É como se alguém cometesse um crime e não quisesse deixar testemunhas. Impressionam o despreparo e a incapacidade das autoridades em prevenir situações como aquelas e em lidar com elas, quando ocorrem. Você percebeu que essas tragédias recentes ocorreram por mecanismos atípicos e que poderiam ter sido facilmente evitados? Percebeu que o tempo de resposta ao desaparecimento do Airbus foi demorado e que os trabalhos de buscas de sobreviventes, corpos, destroços e "caixa-preta" foram retardados, curtos, lentos e rudimentares demais? Por conta disso, muitos de nós ainda estamos boquiabertos, sem entender o que aconteceu, e talvez jamais tenhamos as respostas que precisamos. Não podemos calcular a probabilidade de haver algum sobrevivente da queda, de ele ter conseguido resistir à hipotermia e às outras adversidades e alcançado terra firme porque não conhecemos a "fisiopatologia" da queda. Talvez já soubéssemos se tivessem construído uma "caixa-preta" de vergonha, com sinal rastreável por satélite e que já tivesse sido encontrada.

Ministro da Defesa Nélson Jobim fez comentários típicos de um médico legista, que, na minha opinião, seriam inadequados de falar na imprensa e para os parentes das vítimas ouvirem, por serem meio cruentos: "De acordo com o ministro da Defesa, os corpos que apresentarem "abdome íntegro", ou seja, sem perfurações, podem voltar à superfície entre 48h e 70h. Já os corpos que tiveram o abdome perfurado, explicou ele, não retornam à superfície. Na avaliação de Jobim, é "muito difícil" encontrar corpos no fundo do mar. "Serão recolhidos os que boiam," disse. O ministro informou que o mar, naquela região, possui profundidade entre dois mil e três mil metros. Ele não excluiu a hipótese de haver tubarões na região". Confira em http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1181788-5602,00.html.

Atribuiram a seguinte frase ao Presidente Lula: "Se achamos petróleo e sal a 6.000 metros de profundidade, vamos achar a mala preta do avião
a 2.000m." Para uns, isto foi um sinal de esperança. Para outros, uma pilhéria, mais uma pérola do presidente. Confira em http://www.sarneyfilho.com/aplicacoes/Noticia/index.cfm?fuseaction=Noticia.MostrarDetalheNoticia&IdNoticia=8799.

No meio de toda essa confusão, houve espaço para boatos, desde a existência de sobreviventes até o envio de torpedos dos celulares dos passageiros para seus familiares (http://noticias.uol.com.br/ultnot/voo-af447/2009/06/03/ult7483u86.jhtm).

O acidente do AF 447 caiu no esquecimento da mídia, com a morte de Michael Jackson. Falarei mais sobre isso em outro momento. Encerro este lado triste da postagem pedindo a quem vier a este blog para que nos juntemos e cobremos mais dedicação das autoridades em cobrir as deficiências do transporte aéreo, minimizando os riscos de esses desastres voltarem a ocorrer.

Leia mais em:

http://www.opovo.com.br/brasil/894215.html;

http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL1233435-5605,00-FAMILIARES+DE+VITIMAS+DO+ACIDENTE+DA+TAM+SE+PREPARAM+PARA+HOMENAGENS+EM+SP.html;

http://noticias.uol.com.br/ultnot/voo-af447/;

http://noticias.terra.com.br/brasil/vooaf447/;

http://www1.folha.uol.com.br/folha/especial/2009/airfrancevoo447/;

http://www.estadao.com.br/busca/JSearch/TQM!tQM.action?e=&s=voo%20af%20447;

http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u575068.shtml.