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Impressões pessoais sobre notícias ou sobre episódios cotidianos, além de informações de utilidade pública.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Beija-mão + exploração

Antes de começar, você já deve ter notado que foram realizadas algumas reformas discretas no blog. A gadget do site www.bibliacatolica.com.br, por exemplo, já está de volta. Desta vez, consegui posicioná-la no topo da página. Notou também que pus um relógio maior no cabeçalho, não é?

Falando sério, o Evangelho da missa de ontem (Marcos 12:38-44) me chamou bastante a atenção. Ele versa sobre os doutores da lei que adoravam aparecer, usarem a religião para explorar os oprimidos e se sentiam lisonjeados quando todos lhe tiravam o chapéu nas ruas. Jesus também apresentou o exemplo de uma viúva que depositou um pouco de dinheiro no cofre das ofertas do templo. Sua doação valia mais que a dos outros porque era de coração e representava praticamente todos os seus recursos materiais. Na missa de ontem, também houve um trecho do Antigo Testamento (1 Reis 17:10-16), no qual o profeta Elias estava em fuga da ira de um rei e, ao passar por um vilarejo, vê uma viúva passando, pede a ela água e logo em seguida pede a ela pão. Ela se assusta e diz que o pouco pão que ela tem só dá para ela e para o filho. Ele garante que, se ela lhe der um pão, não lhe faltará mais comida em casa. E ela deu um voto de confiança àquele estranho. Dito e feito. Seu passo ousado foi recompensado. Não lhe faltou mais comida.

Acho que essas passagens da Bíblia devem ser analisadas com muito cuidado, para evitar equívocos e o uso indevido delas. Alguém pode sair por aí dizendo que a Bíblia diz que quem for pobre deve doar tudo o que tem para receber mais. E assim, muitos pastores evangélicos, de maneira antiética, trabalham pensando apenas em seu próprio benefício levantando riquezas para si e comprometendo a moral daqueles pastores que trabalham honestamente e com fé. Afinal, não podemos condenar todos por culpa de alguns. Mas é preciso ter cuidado para distinguir quem são os lobos em peles de cordeiro.

"Guardai-vos dos falsos profetas. Eles vêm a vós disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos arrebatadores."

Mt 7:15

Você viu os escândalos recentes envolvendo as facções evangélicas "Igreja Universal do Reino de Deus" e "Igreja Renascer em Cristo":

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u642951.shtml.

http://noticias.uol.com.br/politica/2009/10/28/ult5773u2843.jhtm.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u646594.shtml.

http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL961356-5605,00-LEIA+AS+NOTAS+DA+IGREJA+RENASCER+SOBRE+DESABAMENTO+DE+TETO.html.

http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL268511-5605,00-JUSTICA+SUSPENDE+PROCESSO+CONTRA+CASAL+DA+IGREJA+RENASCER.html.

http://g1.globo.com/jornaldaglobo/0,,MUL1266596-16021,00-LIDER+DA+IGREJA+UNIVERSAL+CONSTROI+PATRIMONIO+COM+DOACOES+DE+FIEIS.html.

Na homilia da missa na qual eu participei ontem, o padre falou muito bem. Com relação ao costume da jactância dos fariseus e dos escribas, ele disse que infelizmente até os dias atuais a sociedade vive da bajulação e "dá corda" nesses "doutores da lei" modernos. Há muita gente que vive como eles. Eu conheço um lugar onde se vê muito disso. Onde figuras públicas que nem tem tantos méritos assim são elevadas pelo povo ao status de "super-heróis" capazes de administrar tudo e de resolver todos os problemas privados de cada cidadão. São pessoas geralmente bem humoradas, porém sarcásticas e de convivência desagradável, podres de ricas em dinheiro, mas pobres de espírito. Acham que são as donas da verdade. Abrem a boca para falar o que querem, mas um dia vão ouvir o que não querem. Dizem que quem tem boca vai a Roma, mas com umas bocas grandes assim, essa gente podia dar a volta ao mundo. E as palavras deles soam como músicas aos ouvidos da burguesia local. Se pessoas daquele naipe estivessem em um jantar coletivo e arrotassem na mesa, aposto que todo mundo aplaudiria.

Da mesma forma, a cultura popular nordestina distorceu a imagem do poeta português Camões, mas não lhe deu feições caricatas, transformou-o em justiceiro, como se vê em http://www2.uol.com.br/parlapatoes/divirta/caldo%204.htm e http://www.bahai.org.br/cordel/origens.html.

Não sei se os padres daquelas terras teriam coragem de falar o que o padre da igreja que eu freqüento quando estou em Fortaleza falou na missa de ontem. A relação entre religião e política por lá ainda parece ser muito forte, como no início do século passado, ao ponto de uma tornar-se aparentemente conivente com a outra e de padres se elegerem deputados. Voltarei a falar sobre isso em outra ocasião.


 


 

sábado, 7 de novembro de 2009

Evolução

A informática evolui por um lado e involui pelo outro. Se, por um lado, os equipamentos eletrônicos ficam mais sofisticados, capazes de realizar mais tarefas com mais rapidez, mais reduzidos em dimensões e discretamente mais baratos, por outro lado, eles ficam mais complexos, os arquivos e os programas ficam cada vez mais "pesados", requerendo incrementos quase que constantes nas capacidades das memórias e nas freqüências de processamento dos computadores. Um computador montado há dez anos teria hoje grande dificuldade para executar as mesmas tarefas e abrir as mesmas páginas da Internet que ele abria naquela época. Um computador montado em 2009 deve ter no mínimo um processador de 2 GHz, uma memória HD de 160 GB e uma memória RAM de 2 GB para funcionar bem com o sistema operacional Windows Vista. Daqui a um ano, esse computador já estará um pouco obsoleto e meio lento. Então serão produzidos cada vez mais computadores com mais gigahertz e mais gigabytes. Parece que o céu é o limite para tanto aperfeiçoamento. Me lembro que o primeiro microcomputador que apareceu em minha casa, em 1997, custava o dobro do que custaria hoje, rodava com Windows 95, tinha HD de 1 GB, memória RAM de 8 MB e processador Pentium 100 Mhz. Com pouco tempo de uso, ele já não correspondia às nossas expectativas. Fazer um upgrade nele era inviável. Suas peças eram caras e difíceis de serem encontradas no mercado. Em cinco anos, ele morreu lenta e dolorosamente como um paciente terminal em UTI, sem que nada pudéssemos fazer. Um vírus mortal apoderou-se dele e não podíamos instalar um bom antivírus porque suas configurações de software eram incompatíveis com qualquer antivírus da época e nem podíamos alterar as configurações de software porque as configurações de hardware não permitiam, pois, como eu disse, fazer um upgrade nele já não era mais inviável, era impossível. Há quase três anos, comprei um pen drive com MP3 player 1 GB de memória por duzentos reais. Agora é possível comprar o mesmo aparelho com o dobro de memória por menos da metade daquele valor. No meu tempo de colégio, eu não saberia o que significa um pen drive. Ninguém sabia.

Agora eu entendo porque existem pessoas que trocam de computadores, de carros e de celulares todos os anos. Nem sempre fazem isso simplesmente por frescura. Também não é tanto pelo fato de se tornarem discretamente obsoletos e menos eficientes. É porque alguns dos bens que eu mencionei praticamente se tornam descartáveis. Descartáveis porque, depois de vencidos seus prazos de garantias, geralmente de um ano, eles começam a apresentar tantos problemas que se torna mais viável substituí-los que consertá-los. Isto me lembra aquela passagem bíblica que fala algo sobre não valer a pena remendar tecidos velhos com remendos novos:

"Ninguém rasga um pedaço de roupa nova para remendar uma roupa velha, porque assim estragaria uma roupa nova. Além disso, o remendo novo não assentaria bem na roupa velha."

São Lucas 5:36

Os automóveis são uma exceção, na maioria das vezes. Eles duram um pouco mais. Notebooks duram menos que os computadores convencionais por serem portáteis e de manutenção mais difícil e mais cara. Sobre os celulares, nem se fala. Falando em celulares, um dia desses, fui tentar desbloquear um de meus aparelhos, com mais de três anos de uso, e me chateei, porque todo mundo em Sobral se recusou a fazer o serviço. Uns disseram que era por causa da operadora. Outros alegaram falta de equipamento. Enfim, quando me lembrei daquele trecho da Bíblia que mencionei lá atrás, estava para desistir, mas acabei conseguindo que fizessem o serviço em Fortaleza.

Vou tentar segurar meus bens de consumo teoricamente duráveis pelo maior tempo possível, enquanto estiverem funcionando satisfatoriamente, não apenas para economizar dinheiro, mas também pensando no meio ambiente. Eu já disse uma vez que, quanto mais consumimos, mais somos responsáveis pelo consumo de recursos naturais, mais lixo produzimos e mais sobrecarregamos o meio ambiente (http://conscienciaacademica.blogspot.com/2008/12/edio-bombstica-de-26-12-2008.html). Naquela postagem, eu também disse que há muitos brasileiros que, seguindo os maus exemplos uns dos outros, compram demais e se endividam demais. Por que eles fazem isso? Porque adoram viver de aparências. Há muitos brasileiros acomodados na posição de ostentar falso luxo, vivendo de aparências, acima de tudo. O sujeito pode morrer pagando aluguel de um imóvel, mas não deixa de ter uma Hilux zero Km na garagem de uma casa que não lhe pertence. Na verdade, viver de aparências faz parte da nossa cultura. Tanto que, quando notícias sobre a violência no Rio de Janeiro e outras partes do país vazam para a imprensa internacional, isto causa escândalo por aqui. Nossas autoridades se descabelam, dizendo que a imprensa exagera. Você acha isso exagero???

Tortura ao vivo – o justo pagando pelo pecador e o cinismo nas escusas dos responsáveis:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u649105.shtml.

Quando eles provocam a polícia e a sociedade, matando um cidadão como esse médico, por exemplo, devem receber a resposta que merecem:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u646679.shtml.

Recife é campeã nacional de homicídios, segundo jornais americanos:

http://www.pebodycount.com.br/post/postUnico.php?post=812.

Repercussão internacional da onda de violência no Rio:

http://www.portugaldigital.com.br/noticia.kmf?cod=9062342&indice=0&canal=157.

http://globonews.globo.com/Jornalismo/GN/0,,MUL1346202-17665,00-ONDA+DE+VIOLENCIA+NO+RIO+TEM+REPERCUSSAO+INTERNACIONAL.html.

Assassinato do coordenador do Afroreggae, com a provável conivência de policiais corruptos:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u642650.shtml.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u643661.shtml.

http://noticias.uol.com.br/ultnot/agencia/2009/10/27/ult4469u47966.jhtm.

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2009/10/29/ult5772u5856.jhtm.

Assim não dá para viver de aparências. Tudo bem, eu entendo que todo mundo tem o direito de deixar a casa arrumadinha para receber visitas, como eu disse em http://conscienciaacademica.blogspot.com/2009/09/11-de-setembro-de-2009.html, mas tenhamos bom senso. Não adianta varrer a sujeira para debaixo do tapete. Isso não vale só para essa questão social. Vale também para a vida individual. Se continuamos nos recusando a enxergar um problema, ele apenas se esconde para retornar mais tarde. E ele continua nos afetando de qualquer maneira.


 


 

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Água que passarinho não bebe


Como na semana passada foi abordada novamente pelo Jornal da Globo aquela situação de venda de bebidas alcoólicas a menores de 18 anos em pontos turísticos de Fortaleza (http://conscienciaacademica.blogspot.com/2009/10/postagem-de-23102009.html e http://conscienciaacademica.blogspot.com/2009/10/postagem-de-13102009.html), retomo a temática do alcoolismo.
Como eu dizia, o álcool é uma substância muito perigosa, da qual eu tenho medo, pelas conseqüências que seu consumo pode trazer. Digo isso por experiência própria. Como eu já disse antes, eu raramente bebo cerveja, mas quando bebo, tenho dificuldade de parar. Apesar de ter história familiar positiva para alcoolismo, não me considero um alcoólatra, pois não tenho um consumo etílico diário ou regular, tampouco meu organismo demonstra sinais de abstinência. Em outras palavras, não sou dependente e consigo passar muito bem sem álcool. Minha experiência com o álcool, eu a vejo como traumática porque, em alguns dos meus poucos episódios de libação etílica que tive ao longo de minha história, ou seja, durante alguns dos poucos porres que tomei, perdi meu autocontrole, falei demais, inclusive coisas que não devia ter falado, coisas que não falaria se estivesse sóbrio, às vezes falei coisas que nada têm a ver comigo, segundo testemunhas, tomei atitudes insensatas (ainda bem que dirigir não estava entre elas) e apresentei comportamento anti-social. Isso contribuiu para minha ruína moral e eu fiquei mal falado nos lugares por onde andei por um bom tempo. Aquelas atitudes insensatas poderiam comprometer minha saúde, minha segurança e meu futuro. Houve uma vez que eu passei um período de cerca de seis horas durante o qual não me lembro do que eu fiz naquele período e, ao final dele, acordei em casa, com diarréias e vômitos. Deus me livre de ficar novamente inconsciente e incapaz de controlar meus atos. Só Deus sabe o que pode acontecer a alguém fora de si dessa maneira. Poderia ter me machucado gravemente. Soube de histórias de pessoas que morreram assim. Enfim, ingerir álcool até ficar com a personalidade anestesiada na frente dos outros. Não vale a pena pagar esse mico. Até porque, segundo o adágio popular, "o que é de bêbado não tem dono". Algumas pessoas podem beber à vontade e não ficam nesse estado. Outras não. Prefiro manter-me alerta, com o meu próprio controle, o da situação e do meio em que estiver. Depois quero comentar sobre essa questão do controle.
A cerveja é uma bebida paradoxal. Ela precisa ser degustada quando estiver o mais gelada possível, mas não congelada, senão perde o gás. Se você beber depressa, pode até aproveitar o melhor da bebida, mas vai sentir muita vontade de urinar muito e vai se embriagar mais depressa. Se beber devagar, ela esquenta e perde o gás e o sabor. Há quem ponha sal na cerveja para diminuir a diurese, mas isto faz aumentar a perda de bolhas de gás e altera o sabor. Não compensa. O negócio é saber beber.
Reza a lenda que, no Antigo Egito, os padeiros começaram a provar da água estocada nos tanques onde eles preparavam e deixavam a massa para fazer os pães de molho. E principiaram a sentir os efeitos daquela água. Foi aí que começaram a descobrir como produzir uma "bebida diferente" a partir da fermentação, com os mesmos ingredientes usados para fabricar o pão. Quem me contou essa lenda foi o companheiro Fujita. Esse mesmo paradigma de síntese de uma bebida alcoólica é usado nas penitenciárias. De maneira artesanal, os presos misturam fermento, farinha e tudo mais que possa ser fermentado em recipientes com água para tentar produzir uma espécie de cachaça caseira. Ela tem que ficar bem escondida, como se fosse celular e drogas, porque é proibida a entrada de bebidas alcoólicas nas prisões. Presumo que proibiram por serem substâncias de efeito psicotrópico que comprometem o comportamento dos detentos e suas teóricas ressocializações.
Os efeitos do álcool no organismo dependem da tolerância de cada indivíduo. Como eu já tinha dito, há quem beba uma grade de cerveja e não fique embriagado, assim como há quem beba apenas um copo e não tenha condições de dirigir. Já desisti de esperar para ver um certo amigo meu cambaleando de tonto e de contar quantas garrafas de cervejas seriam necessárias para vê-lo assim. Se ele morrer antes de mim, eu abrir-lhe-ei o abdome e estudar-lhe-ei o fígado.
Como as autoridades não têm como determinar o limite de teor etílico de cada indivíduo em particular, até o qual ele é capaz de operar máquinas e de responder por seus atos, os legisladores acharam mais prudente enrijecer a lei, nivelando de uma vez todo mundo por baixo. Ou seja, para ter uma maior margem de segurança, foi melhor proibir logo que todo mundo que ingeriu qualquer quantidade de bebida alcoólica dirija. Antes, havia um limite de teor etílico permitido detectável pelo bafômetro, mas esse limite não se aplicava a todos, pois havia gente que se embriagava abaixo daquele valor. Já falei sobre isso antes em http://conscienciaacademica.blogspot.com/2008/07/notcias-de-primeiro-mundo.html, http://conscienciaacademica.blogspot.com/2008/07/causos-curiosos-das-ltimas-semanas.html e http://conscienciaacademica.blogspot.com/2008/05/cmara-aprova-lei-que-considera-crime.html.
Muitos dos evangélicos brasileiros evitam o consumo de bebidas alcoólicas, alegando que suas igrejas os proíbem. Não lhes tiro a razão, eles não estão perdendo grande coisa, pois o consumo de álcool traz mais desvantagens que vantagens. Acho curioso eles justificarem essa abstinência alcoólica pela religião. Acredito que isto seja peculiar aos evangélicos daqui. Nos Estados Unidos, onde teoricamente a maioria da população é de evangélicos, as pessoas não fazem esse tipo de restrição. Pelo contrário, a produção e o consumo de bebidas por lá são bastante difundidos. Alguns Estados daquele país proíbem o consumo por menores de 21 anos. Em caso de violação, o próprio jovem é quem recebe a punição, e não seus pais. Se as religiões evangélicas por natureza proibissem o álcool, a Alemanha e a Holanda, que são países predominantemente evangélicos, não produziriam as melhores cervejas do mundo. Se bem que acho que devemos dar um desconto, porque, nos países que exemplifiquei, não há grande influência das religiões na cultura, nas leis e na sociedade. Além disso, muitas pessoas em todo o mundo, ainda que declarem ter uma religião, não são necessariamente religiosas e vivem como se Deus não existisse. Comentarei mais sobre isso em outra ocasião. Nos países muçulmanos, que, em sua maioria são Estados religiosos onde os cidadãos seguem os preceitos islâmicos, por bem ou por mal, nota-se a forte influência da religião em tudo, ao ponto de a fabricação, o comércio e o consumo de bebidas alcoólicas serem proibidos, exceto para turistas estrangeiros. Entretanto, na Indonésia, que é considerada o país mais muçulmano do mundo e era até pouco tempo governado por uma ditadura, acredito que não haja tanta restrição às bebidas. Além de ser um badalado destino turístico recheado de influências culturais ocidentais, ganhou recentemente uma filial da revista Playboy. A versão indonésia da revista é relativamente bem comportada, mas levantou grande polêmica. Observe que as leis indonésias são relativamente mais frouxas do que em outros países muçulmanos, mas a influência da religião é grande. Saiba mais em:
http://en.wikipedia.org/wiki/Playboy_Indonesia.
http://news.bbc.co.uk/2/hi/asia-pacific/4905640.stm.
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=385MON009.
http://virgula.uol.com.br/ver/noticia/celebridades/2009/03/04/105845-playboy-indonesia-gera-polemica-no-pais.
http://www.clickpb.com.br/artigo.php?id=13488.
O Brasil é considerado o país mais católico do mundo, a maioria da população teoricamente é católica, e o Estado é laico. A religião já não tem mais tanta influência como antes. Muitos de nossos costumes não têm relação alguma com religião alguma. Às vezes transgridem-nas. Muitos evangélicos brasileiros vivem como estrangeiros dentro do próprio país. Talvez eles prefiram evitar a velha política de seguir as multidões e de serem apenas mais uns peixes no cardume. Preferem ser diferentes e fazer a diferença. Não concordo com suas idéias, mas admiro isso da parte deles. Retomarei essas idéias em outra ocasião.
Falei tanto sobre a influência da religião na sociedade para dizer que a restrição ou a liberação do etilismo ou de outros costumes não dependem tanto de religião. Dependem mais é das leis e dos interesses políticos e econômicos envolvidos.
Voltando ao etilismo, existe um questionário, que foi formulado na Inglaterra, se não me engano, chamado CAGE, que funciona como uma ferramenta para rastrear a suspeita de dependência etílica. O nome vem a calhar, porque o alcoolismo é, de fato, uma jaula. Adiante, você encontrará uma explicação para a sigla. Uma resposta positiva indica suspeita. Duas respostas positivas indicam certeza de dependência química. Então, se você desconfia que alguém de seu ciclo de relações foi fisgado(a) pela rede do alcoolismo, faça-lhe as seguintes perguntas e depois ofereça-lhe apoio, se necessário e se ele(a) quiser também:
  1. Você já tentou diminuir ou cortar ("Cut down") a bebida?
  2. Você já ficou incomodado ou irritado ("Annoyed") com outros porque criticaram seu jeito de beber?
  3. Você já se sentiu culpado ("Guilty") por causa do seu jeito de beber?
  4. Você já teve que beber para aliviar os nervos ou reduzir os efeitos de uma ressaca ("Eye-opener")?
Saiba mais sobre alcoolismo nas seguintes fontes científicas que eu considero fidedignas:
http://www.alcoolicosanonimos.org.br/.
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462004000500004.
http://www.ufrrj.br/institutos/it/de/acidentes/etanol1.htm.
http://www.adroga.casadia.org/alcoolismo/alcool_e_adolescencia.htm.
http://www.psicosite.com.br/tra/drg/alcoolismo.htm.
http://virtualpsy.locaweb.com.br/dsm_janela.php?cod=60.
http://www.alcoolismo.com.br/depqui.htm.
http://www.orientacoesmedicas.com.br/sosalcoolismo.asp.
Veja as reportagens do Jornal da Globo às quais me referi:
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quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Plano quase perfeito

Para descontrair e espantar o mau humor, enquanto preparo meus pontos de vista, no exílio mais uma vez, posto hoje um plano mirabolante que me enviaram por e-mail. Só não concordo com a idéia de trocar vinho por cachaça nas igrejas. Essa vai especialmente para aqueles que têm preconceitos contra os nordestinos.


 

QUANDO OS CEARENSES DOMINAREM O MUNDO !!!

PLANO DE AÇÃO...

Todo mundo sabe que os cearenses estão por toda parte. Em geral, o cearense é aquele sujeito baixinho que é
o guardador de carro em São Paulo, o chefe de um restaurante na Madison em Nova York, o designer que bolou o logo da Eurocopa em Portugal, ou mesmo um borracheiro no interior da China.


O que pouca gente sabe é que, na verdade, isso é uma bem arquitetada jogada que visa a plantar gente nossa em postos-chave da administração mundial. Quando estivermos prontos, será deflagrada a grande tomada de poder e meu conselho é que você fique imediatamente amigo ou amante de um cearense, pois sabe como é: pros amigos tudo, para os inimigos, a lei!

Tomaremos o poder a partir de uma senha pré-estabelecida, que só um cearense saberá o significado oculto. Aos berros de "Queima Raparigal!" as hostes de cabeças-chatas invadirão os parlamentos e palácios, além de todos os jornais e redes de TV do mundo livre. Ninguém desconfiaria que Francisco das Chagas, humilde faxineiro da CNN (futura afiliada da TV Diário), na verdade, é um professor do ITA que rapidamente conectará a rede de Atlanta para nossos propósitos.

Invadiremos e tomaremos o Estado de Pernambuco, vamos dinamitar a nossa refinaria que eles roubaram e vamos construir outra lá no Pecém; também vamos extinguir os times Náutico, Santa Cruz e Sport Recife.

Elegeremos um papa cearense, Raimundo I, que canonizará Padre Cícero e determinará que, daí por ,diante, em todas as igrejas católicas a hóstia seja feita com macaxeira, farinha, rapadura, alternadamente ou os três ingredientes juntos.

O vinho será uma cachacinha de primeira misturada com "Q-SUCO" de uva. Essa simples bula papal fará com que a economia do Ceará dê um salto. O único problema é achar uma mitra que caiba na cabeça chata do papa, mas nós cearenses sabemos improvisar: Raimundo I usará uma fronha de travesseiro enquanto se encomenda outra.

Nas artes plásticas, as garrafinhas com areia colorida, os quadros de Xico da Silva e as esculturas de Zé Pinto irão ocupar alas e alas do Louvre. Para arranjar espaço, todas aquelas velharias do Turner vão para o museu de Aracati.

A Monalisa fica, pois na avaliação de Serotônio Macêdo, novo curador do museu, ela é uma "cabôca danada de aprumada".

O novo Secretário Geral da ONU será Seu Lunga, que resolverá o conflito Israel/Palestina doando vastas extensões do sertão cearense pros brigões. A ata de doação será concisa e formal.

Nas suas palavras: "Magote de fio d'uma égua, bando de mulambeiros, a terra é seca do

mesmo jeito e o mar é da mesma cor. Deixem de botar boneco que vocês nem vão notar a diferença e o Ceará ainda é maior que aquela tripinha de Gaza".

A famigerada música cearense tomará o mundo. Numa revanche histórica, as aberturas das novelas globais terão como trilha sonora os seguintes temas: novela das 06h, Belchior, das 07h, Raimundo Fagner, das 08h, Aviões do Forró. Vamos aperfeiçoar o Oscar. Bolaremos uma categoria que premiará o melhor filme de cangaço, melhor cena de amor numa jangada e melhor mocotó.

O cruzamento mais famoso do Brasil não mais será "Ipiranga com Av. São João" e sim Barão do Rio Branco com Liberato Barroso.

O jornal do 10 será transmitido para todo o mundo com a seguinte noticia: * O rodeio será substituído pela vaquejada; Coca-cola pela água de côco; Garota de Ipanema por Garota da Barra do Ceará; Praia de Copacabana por Praia do Futuro; Fla x Flu por Ceará e Fortaleza, Real Madrid por Ferroviário; Central Park por Parque do Cocó; As torres gêmeas, que já foram destruídas mesmo, por Palácio do Progresso; As melhores faculdades européias pelo Liceu do Ceará; Demitiremos Gugu Liberato e Faustão e colocaremos em seus lugares João Inácio Jr e Ênio Carlos; Roberto Carlos por Babau do Pandeiro; Funk por Xaxado; Disneylândia por Beach Park; Av. Paulista por Bezerra de Menezes; Canecão por Siará Hall (na Washington Soares é show); Escolas de samba por quadrilhas juninas; Chiclete com banana por Mastruz com Leite.

Colocaremos alguns cearenses nas presidências dos principais países como: França: Cid Gomes;

Cuba: Inácio Arruda;

Argentina: Débora Soft (eu quero mais é que a Argentina se exploda).

A primeira ministra da Inglaterra será Patrícia Gomes. E o presidente dos EUA será Eunício Oliveira.

A capital do Brasil será Fortaleza. A capital do mundo ainda será Nova York, mas a gente vai rebatizá-la de Nova Quixeramobim e vamos trocar aquela estátua cafona por uma enorme estátua da Índia de Iracema. Yeah!

Não vejo como o plano possa falhar, pois cada vez mais nossos agentes se espalham pelo Brasil e pelo mundo todo.

Só nos resta esperar, de preferência no fundo de uma rede, enquanto as engrenagens giram por si. Adeus e até a vitória!

Como sou modesto, quero para mim apenas um título de nobreza e umas terras anexas, de preferência o município de Caucaia que é vizinho da capital e tem belas praias.

Saudações cearenses!!! E que nosso Padim Pade Ciço teje com todos nós!!!!!

(Autor desconhecido) mas deve ser cearense, né?!


 


 


 


 


 

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Sobral 2

Na última postagem sobre Sobral (http://conscienciaacademica.blogspot.com/2009/10/sobral.html), falei sobre uma reportagem antiga da revista Veja, fazendo sutil referência a Sobral de onze anos atrás. Agora vamos tratar daquela reportagem mais recente, publicada na revista Veja, há quase um mês, versando amplamente sobre a cidade de Sobral, no Ceará (http://veja.abril.com.br/300909/the-united-states-of-sobral-p-144.shtml).

De fato, ela realmente me pareceu um pouco jocosa, em alguns momentos. Não sei se a real intenção dos autores era denegrir as imagens da cidade e do ministro Ciro Gomes, para prejudicar-lhe a candidatura à presidente, no próximo ano, como dizem as más línguas, mas eu sei que, como cidadão sobralense por opção, há quase cinco anos, não me senti ofendido ao falarem dos nossos estrangeirismos. Na verdade, aqui não existem tantos estrangeirismos assim. Não sei onde fica esse "Central Park" e não sabia que nosso rio era chamado de Hudson. Falando nisso, no verdadeiro Hudson, em Nova Iorque, houve um acidente aéreo, há 3 meses, quando um avião chocou-se com a traseira de um helicóptero, e ambos caíram no leito do rio. Não houve sobreviventes. Isto me revoltou mais ainda, pelo modo absurdo como aconteceu e porque aconteceu pouco mais de dois meses após a queda de vôo da Air France no Atlântico (http://noticias.terra.com.br/brasil/vooaf447/), deixando patentes as crescentes irresponsabilidade e falta de compromisso com a vida por parte dos responsáveis pelos transportes aéreos no mundo inteiro (http://www.tudoagora.com.br/noticia/21407/Acidente-aereo-em-Nova-York---Tres-corpos-encontrados-Equipes-de-resgate-retomam-buscas.html).

Voltando a falar de Sobral, há um conjunto de prédios de apartamentos em um bairro nobre e às margens do rio Acaraú que, até o momento, são os prédios mais altos da cidade e são apelidados de "torres gêmeas". Reza a lenda que a expressão "Estados Unidos de Sobral" surgiu na década de 40, por ocasião da visita de um cônsul ianque a esta cidade, durante a Segunda Guerra Mundial. Os convites para o baile de recepção àquele cônsul teriam sido impressos em inglês e com a expressão "United States of Sobral". Naqueles tempos, reza outra lenda que havia um imigrante ianque vivendo em Sobral chamado John Sanford, que viria a se tornar nome de uma das maiores avenidas da cidade.

Arco do Triunfo, torres gêmeas, ônibus escolares amarelos, Derby Clube(nome do hipódromo que também nomeia o bairro em que moro e também nomeia um bairro de Recife) e beisebol. Acho que nossos estrangeirismos param por aqui. Nem de longe, nosso padrão de vida e nossos costumes se parecem com os dos norte-americanos e os dos franceses. É irrisório o percentual da população local que fala inglês ou francês fluentemente. Essa última língua é mais falada pelos neurocirurgiões que trabalham aqui e fizeram suas especializações na França. Há rumores de um imigrante inglês que vive na cidade e que dá aulas particulares de inglês para muitos médicos, mas ainda não tive a honra de conhecê-lo.

Pode até ser que Sobral tenha sido mais xenofílica no passado. So what? Toda cidade tem ou já teve seus elementos de influência estrangeira na sua cultura, na sua arquitetura e em outros aspectos do cotidiano. Entretanto, são esses pequenos focos de xenofilia, especialmente franco-americana, peculiares à nossa cidade. Nenhuma outra cidade tem tal marca registrada. Isso já foi abordado outras vezes pela mídia. Na verdade, na maioria das vezes em que Sobral aparece na TV em rede nacional é por causa de seu estrangeirismo sui generis. Por isso que, em princípio não vi como uma ofensa aquela matéria da Veja. Entretanto, as referências que fizeram ao Governador do Estado e ao seu irmão, que é Ministro da Integração Nacional, coincidência ou não em um momento estratégico, às vésperas de um ano eleitoral, revelam possíveis segundas intenções. Em suma, o ataque não foi necessariamente contra a cidade.

Não quero com isso defender a campanha de Ciro Gomes à Presidência da República. Pelo contrário, acho que ela deve ser questionada.

Há alguns anos, como governador, foi-lhe atribuída a seguinte fala: "Médico é como sal, branco, barato e abundante". Estou averiguando se ele disse isso mesmo e, caso tenha dito, se ele já se desculpou ou explicou o porquê daquela atitude. Até agora, achei referências a isto apenas em http://dradnet.com/section1/a-vulgarizacao-do-termo-depressao.html e em http://desciclo.pedia.ws/wiki/Medicina. Houve quem atribuísse a infeliz sentença a um governador do Amazonas, como se vê em http://www.sbd.org.br/medicos/extranet/jornal/jornal_julho-agosto2.pdf. Continuarei investigando e, sobre a questão da honra do médico, conversaremos em outra oportunidade.

Por isso eu recomendo cautela ao povo cearense, especialmente, aos sobralenses, que já teriam uma tendência natural a votar nele, que é filho da terra, e mais especificamente aos médicos desta cidade. Todos eles devem pensar bem a respeito disso, antes de votarem em um conterrâneo por entusiasmo.

Acho que foi, em parte, ato de traição da parte dele, o de transferir seu domicílio eleitoral para São Paulo. Tudo bem, eu entendo que ele praticamente mora lá, que ele nasceu no interior de lá e que ele deve achar que a política do café-com-leite ainda está em vigor, pensando que, para ser Presidente da República, precisa agradar os interesses dos Estados de São Paulo e de Minas Gerais. Por outro lado, ele foi eleito como deputado federal para representar o Ceará, unidade federativa com a qual ele tem mais identidade.

Continua...


 


 

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Futuro do Brasil



Devia ter publicado esta postagem no mês passado, por conta do mês das crianças. Mas a minha vida estava meio corrida. De qualquer maneira, precisava escrevê-la porque algumas situações me fizeram refletir sobre aquilo que chamam de "o futuro do Brasil". Será que esse "futuro" ainda tem futuro???
Enfim, certa noite, estava eu sentado em uma praça quando um garoto chegou e me perguntou se podia engraxar meus sapatos. Eu permiti. Confesso que me senti um homem importante de negócios. Nunca haviam engraxado meus sapatos assim antes. Estava perto do "Dia das crianças". Isto me fez lembrar que nem toda criança leva uma vida de "Pá-pé-pio". Que muitas crianças ainda andam com os pés descalços e ainda levam uma vida sofrida de trabalho e, às vezes, de estudo. Lembrei-me também que o personagem Chaves representa a realidade de muitas crianças latino-americanas e que ele apareceu trabalhando como engraxate em um dos episódios da série homônima. Pena que não consegui achar o vídeo.
No dia dito das crianças, fui com minha namorada e seus dois afilhados a um parque de diversões. Observei que havia muitas crianças de "pé-no-chão" rondando o local, procurando brechas para adentrar e brincar em alguns dos brinquedos. Foi grande a vontade de ser milionário e poder pagar ingressos a todas elas. Minha situação na infância era similar a deles, guardadas as devidas proporções, porque eu já quis um dia conhecer a Disney. Nunca fui. Muita gente da minha geração só teve condições de ir "pedir a benção ao Mickey pessoalmente" quando já estava na adolescência, nos anos 90. Para você ver como as condições financeiras de nossos pais eram difíceis, quando éramos crianças, nos anos 80. Mas parece que não perdi grande coisa.
Vendo as situações que acabei de expor, a do garoto engraxate e a dos garotos que não podiam brincar no parque, me veio a seguinte indagação: será que as crianças ainda são o futuro do Brasil??? Há uns 50 anos, podiam dizer que sim. Elas não apenas eram o futuro. Elas tinham o futuro nas mãos. Naqueles tempos, ninguém podia descartar a possibilidade de um garoto qualquer, como aquele que engraxou meus sapatos, por exemplo, vir a ser um presidente de um banco, um médico ou um político. Naqueles tempos, as crianças mais pobres podiam sonhar com um futuro mais próspero e podiam construí-lo por meio de esforço próprio, com um pouco de trabalho e com muito estudo. Naqueles tempos, ainda podiam contar com alguma educação pública de qualidade e, com a educação, podiam chegar aonde quisessem. Meus pais são bons exemplos disso. Não entendo porque hoje está cada vez mais difícil isto acontecer. Por que as crianças mais simples não podem mais crescer com a educação??? Por que é quase impossível agora imaginar um desses garotos pedintes que lavam pára-brisas nos cruzamentos virando adultos com carteiras assinadas, famílias constituídas, casas próprias e carros nas garagens??? O que está acontecendo???
Tenho uma teoria que pode ajudar a responder esta pergunta, pelo menos em parte. É a teoria da malandragem e da vida fácil, por vezes associada ao uso da violência, que está ganhando terreno. Certa noite, estava eu em uma lanchonete jantando, quando um garoto veio me pedir dinheiro para pagar um mototaxista que o levasse para casa. Eu perguntei o que ele fazia fora de casa, depois das onze. Ele respondeu que não havia comida em casa. Eu como sou sensível nessas situações, ajudei-o. Depois quero comentar sobre essa questão da minha sensibilidade à palavra "fome". Dei-lhe dois reais e ele saiu. Andou alguns passos e apareceu um amigo dele segurando uma bicicleta. E os dois saíram juntos. Fiz papel de trouxa. Não foi pior que o papel que a mamãe fez, quando ela estava na porta de um hospital, em Fortaleza, e um sujeito disse que veio de Canindé, que estava ali apenas para uma consulta, mas perdeu o microônibus bancado por sua prefeitura que o levaria de volta para casa, e pediu a ela ajuda para voltar à sua cidade, dizendo que uns policiais se dispuseram a conduzi-lo até a rodoviária. Ela deu 10 reais. Eu sabia que não ia fazer bom negócio. Desde quando uns policiais são tão legais a ponto de largarem o serviço e atravessarem a cidade para deixar alguém na rodoviária???
Voltando ao meu caso, o dono da lanchonete sentou-se em minha mesa e conversou comigo. Explicou que já estava trabalhando naquele ponto há tempo suficiente para entender das malandragens daqueles pedintes que passam por lá. Disse que já tentou oferecer emprego em seu estabelecimento a vários daqueles garotos. Dentre os poucos que aceitaram, a maioria lhe deu muito trabalho e muita dor de cabeça. Uns o roubaram, outros o acionaram na justiça. Lamentou que o governo atual, com seus programas de benefícios sociais, incentivou as pessoas a deixarem de trabalhar e a viverem às custas do governo. Por isso, os jovens não querem mais aceitar trabalho. Preferem tocar a vida da maneira mais fácil que encontrarem. Mas nem tudo é desgraça. Ele citou um exemplo de um empregado seu que está em um cursinho pré-vestibular.
O bolsa-escola eu ainda tolera. Pelo menos ele serve para acabar com a desculpa de que o filho não vai para a escola porque os pais não têm dinheiro para o material, para o lanche ou para o transporte. Seguro-desemprego dá um suporte provisório até o sujeito se recolocar no mercado de trabalho. Passar o resto da vida com ele não dá. Mas bolsa-família é um abuso. Tem gente que acha que engravidar é brincadeira. Gente que acha que engravidar para receber benefícios do governo dá lucro. Não dá. O que o governo paga vai para a mãe e para a criança. E ainda é pouco para as duas. Não seria melhor essa moça estudar e trabalhar para ganhar mais e não precisar do dinheiro do governo???
A expressão "Pá-Pé-Pio" se refere a um comercial de TV que, todos os anos, na época do Dia da Criança, uma loja de calçados de Fortaleza lança. Desde que me entendo por gente esse comercial existe. Em 2009, está reformulado e um pouco diferente dos anos anteriores, mas continua sendo um marco para a infância fortalezense.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Somando forças

Estou apoiando a causa da WWF (http://www.wwf.org.br/) que está lutando para tentar refrear o aquecimento global. Para isso, ela está engajada em convencer os líderes dos países que participarão de uma conferência sobre mudanças climáticas em Copenhague, em dezembro próximo, a entrarem em um acordo sensato, que priorize um desenvolvimento sustentável ao invés de um desenvolvimento heterogêneo e degenerativo do planeta. Saiba mais em:

http://www.wwf.org.br/?22640/O-acordo-de-clima-em-Copenhague-no--apenas-possvel---absolutamente-necessrio.

http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5hf0f38DwRMcDKlbfgfU8cc-BpKnw.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ambiente/ult10007u640439.shtml.

No Brasil, a organização está em conversação com o presidente Lula e com alguns de seus ministros, conforme se lê em http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL1353872-5598,00-WWF+PEDE+QUE+LULA+ATUE+PELO+SUCESSO+DE+REUNIAO+DA+ONU+SOBRE+CLIMA.html e http://noticias.terra.com.br/ciencia/noticias/0,,OI4070318-EI238,00-Marina+Silva+pede+empenho+de+todos+os+paises+em+Copenhague.html, pedindo a eles que façam o que estiver dentro de suas possibilidades para fomentar um diálogo saudável e desprovido de egoísmo entre as nações desenvolvidas, para que elas levem mais a sério o futuro da humanidade. A WWF também quer mobilizar os internautas para que enviem cartas formais de incentivo ao nosso presidente, conforme modelo a seguir, podendo ser incluídas mensagens pessoais, dentro dos limites do bom senso e do respeito que o cargo exige:

Exmo. Sr. Presidente da República,

O acordo climático está em risco. Declarações recentes de importantes líderes mundiais sugerem que em Copenhague se discuta o futuro da humanidade de forma meramente voluntária. Segundo tais declarações, há poucas chances de chegar-se a um acordo forte, ambicioso e com força legal, capaz de manter o aumento de temperatura do planeta inferior a 2ºC.

O fracasso em Copenhague representa um alto risco de instabilidade que implicará custos sociais, ambientais e econômicos para todos os países. Cabe aos líderes mundiais impedir que isso aconteça. O vosso apoio como líder global é fundamental para que o acordo de clima não se restrinja a uma carta de boas intenções e seja realmente um compromisso com força de lei internacional.

Como cidadão brasileiro, peço que Vossa Excelência reforce publicamente a declaração feita em vosso discurso na última Assembléia Geral das Nações Unidas, de profunda preocupação com a relutância dos países desenvolvidos de assumirem sua responsabilidade quando se trata de combater as mudanças climáticas, e que diga aos Chefes de Estado que é absolutamente inaceitável adiar as decisões que devem ser tomadas em Copenhague.

Esperamos que, em nome do Brasil e da segurança e bem-estar do povo Brasileiro, Vossa Excelência e vossos Ministros conclamem os demais líderes mundiais para um esforço mundial pelo único resultado aceitável em Copenhague: um acordo ambicioso, justo e com força de lei.

A mensagem acima está da maneira como enviei a minha, com as devidas correções gramaticais em relação à mensagem original. Veja-a e saiba como enviar a sua ao presidente em http://www.wwf.org.br/informacoes/noticias_meio_ambiente_e_natureza/?22501/Acordo-climtico-em-risco-Lula--hora-de-agir.

Como hoje foi Dia de Finados, deixo um vídeo da canção "Postcard from Heaven" (Cartão-postal do Céu), da dupla inglesa Lighthouse Family, para reflexão. A mensagem da música é que, se você nunca aprendeu a dizer adeus para as melhores coisas da vida, e para a própria vida, é porque nunca as valorizou de verdade. E não adianta tentar voltar no tempo para fazer isso, porque você nunca estará plenamente satisfeito. Você deve encontrar seu verdadeiro lugar, de onde você é e ao qual pertence e procurar retornar para ele, a fim de atingir a perfeição. Ou seja, volte para os braços do Criador, que é seu Pai. Em outras palavras, a vida e tudo que está contido nela são fugazes. Então, aprenda a se desapegar dela e do que lhe pertence, quando for convocado a partir em busca da perfeição.

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If you never say goodbye
To the best thing in your life
There are things you don't appreciate
At all
So it's best that you don't try
Holding back the time
Are you ever gonna be
Quite satisfied
Postcard from heaven
Go to where you belong
Never find the perfect situation
Untill you know where you're from
If you ever say goodbye
No regrets, I won't ask why
And I wish you all the best luck
In the world
Should you ever change your mind
Holding back the sunshine
Are you ever gonna be
Quite satisfied
Postcard from heaven
Go to where you belong
Never find the perfect situation
Untill you know where you're from
Postcard from heaven
Go to where you belong
Never find the perfect situation
Untill you know where you're from
Postcard from heaven
Go to where you belong
Never find the perfect situation




segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Sobral

Antes de começar a teclar minha opinião sobre a matéria publicada na revista Veja à (des)respeito de Sobral (http://veja.abril.com.br/300909/the-united-states-of-sobral-p-144.shtml), há quase um mês, gostaria de fazer, digamos que um prólogo retrospectivo e comparativo. Eu explico: a polêmica sobre aquela matéria me fez recordar que Sobral já havia sido mencionada, embora de maneira tímida, pela Veja, em 1998.

Lembro-me que, há 11 anos, meu pai era assinante da Veja, ou melhor, ele pagava uma assinatura no meu nome, pois, como eu estava finalizando o ensino médio e estava para prestar vestibular, ele achava que eu devia ler bastante. De fato, embora a Veja não seja um bom exemplo em formação de opinião, aquilo me ajudou muito e sou grato ao meu querido velho por tudo.

Pois bem, em março de 1998, chegou às minhas mãos uma edição cuja matéria da capa versava sobre o desenvolvimento de cidades do interior e a migração de pessoas das capitais para cidades menores em busca de qualidade de vida. Lembrei-me que aquela matéria falava sobre Sobral, mas, por incrível que pareça, não falava sobre Juazeiro do Norte. Então, fiz uma pesquisa nos arquivos da revista na rede e veja o que encontrei:

http://veja.abril.com.br/acervodigital/home.aspx?edicao=1537&pg=05.

http://veja.abril.com.br/110398/sumario.html

Desde então, eu já sentia um pouco de vontade de virar adepto do arcadismo e fugir do ambiente de concreto em que eu vivia. Só não imaginava que seria tão bom viver no interior como eu vivo hoje. Para quem não sabe, arcadismo era uma corrente de pensamento literária do final do século XVIII que pregava o escapismo das cidades para a vida no campo. Sua máxima era carpe diem (aproveite o dia), e Tomás Antônio Gonzaga, que participou da Inconfidência Mineira (http://conscienciaacademica.blogspot.com/2009/04/48-edicao-de-2009.html), foi um dos principais nomes da corrente no Brasil.

Voltando ao foco, acredito que a tendência ainda seja essa, de as pessoas de bom senso deixarem as grandes cidades supersaturadas e partirem em busca de novas oportunidades em locais menos badalados. O eixo RJ-SP só está bom para quem é do meio artístico. Então, em busca de uma vida nova, deixemos para trás as metrópoles e vamos para Passárgada, porque dela "ficarão de fora os cães e os feiticeiros, e os que se prostituem, e os homicidas, e os idólatras, e qualquer um que ama e comete a mentira." (Apocalipse 22:15).

Agora, eu gostaria de fazer umas explanações sobre a situação atual de nossa cidade, comparando e atualizando as informações fornecidas pela revista, em 1998:

- A população saltou de 138000 para quase 200000, incluindo os habitantes dos distritos.

- Um apartamento de 3 quartos em bairro nobre saltou de 50000 para pelo menos 200000. Os aluguéis não são baratos. Uma casa com quatro quartos, sendo um de empregada, apenas uma vaga na garagem, em alguns bairros, pode sair por 700 reais.

- A Grendene continua por aqui, como um dos maiores empregadores da cidade, juntamente com a fábrica de cimentos Poty, que é mais antiga.

- A cidade já era universitária, em 1998, quando contava com apenas uma universidade. Minha mãe se formou lá, na década de 70. Agora, Sobral conta com quatro instituições de ensino superior e atrai jovens de todo o Estado. A expansão do ensino superior começou em 1999, quando a Universidade Federal do Ceará (UFC) abriu uma sucursal de sua faculdade de direito, sediada em Fortaleza. Alguns anos depois, esse curso avançado foi transferido para a universidade local, a Universidade Estadual do Vale do Acaraú (UEVA), chamada antigamente de UVA. Em 2001, a Faculdade de Medicina da UFC, da qual tenho a honra de fazer parte, também abriu uma sucursal aqui, e em 2006, a UFC abriu novos cursos e instalou oficialmente um campus na cidade, que ainda está sendo construído. Desconheço as qualidades dos ensinos fundamental e médio em Sobral na época, mas hoje a cidade conta com boas escolas particulares, dentre elas destacam-se duas, que apresentam boa competitividade em relação às escolas particulares de Fortaleza. Uma dessas escolas é filial de uma rede de escolas da capital.

- Não sei se havia supermercado aqui, na época. Hoje, são quatro redes de supermercados atuando na cidade, sendo duas locais e duas da capital.

- Aquela matéria fala de "um shopping center em construção". Até hoje, ele não saiu do papel. Temos, no máximo, alguns pequenos centros comerciais abertos. A cidade já dispõe de um cinema, com quatro salas, dentro de um supermercado.

- A cidade ainda não conta com um sistema de transporte coletivo organizado e adequado para os tamanhos da população e do perímetro urbano. Existe apenas uma linha de ônibus, com cobertura limitada. Os carros precisam navegar por um mar de motocicletas e de bicicletas. Quem não tem meio de transporte próprio, se vale dos mototáxis, uma invenção genuinamente cearense, dos táxis e dos transportes alternativos em vans ou em microônibus, que no Ceará são chamados de topiques e em São Paulo são chamados de peruas. Para quem vai aos distritos da zona rural ou aos outros municípios da região, estão disponíveis ônibus velhos, topiques e até os velhos "paus-de-arara", que chegam e partem de praças e do mercado. Também é possível viajar para alguns daqueles lugares, pagando um pouco a mais e com um pouco de conforto a mais, nos ônibus de linhas regulares que embarcam e desembarcam exclusivamente na rodoviária, ao custo de R$ 1,00 pela taxa de embarque. O transporte ferroviário, outrora fonte de grandes emoções, assim como em quase todo o país, aqui também se encontra no ostracismo. A antiga estação ferroviária, que, há alguns anos, serviu de rodoviária provisória, quando a rodoviária municipal foi reformada, está fechada. Existe a promessa de revitalização ferroviária com a construção de um metrô de superfície, ligando alguns bairros entre si. Esse metrô está previsto para ficar pronto antes do metrô de Fortaleza, o Metrofor, cujas obras começaram há mais de dez anos. Já existe uma polêmica em torno da necessidade questionável do projeto. Saiba mais em http://www.ceara.gov.br/noticias/licitacao-de-projeto-e-supervisao-do-metro-de, http://blog.opovo.com.br/blogdoeliomar/pge-marca-data-para-lancar-edital-do-metro-de-sobral/, http://talesbenigno.blogspot.com/2009/07/metro-de-sobral.html e http://opovo.uol.com.br/cidades/907925.html.

- Nosso aeroporto ainda é um pequeno campo de pouso com pouco mais de um quilômetro de pista, onde só pousam e decolam "teco-tecos", bimotores, ultra-leves e, às vezes, algum jatinho. Ainda não fomos incluídos nas rotas das grandes companhias aéreas.

Entretanto, fala-se em construir aeroportos em Aracati (http://blogs.diariodonordeste.com.br/egidio/turismo/reiniciadas-obras-do-aeroporto-de-aracati/) e até perto de Jericoacoara. Este último está causando grande polêmica, gerando disputa acirrada entre duas cidades vizinhas, como se pode ver em http://escutaaereafortaleza.blogspot.com/2009/01/aeroporto-de-jericoacoara.html, http://opovo.uol.com.br/opovo/ceara/879640.html e http://blogs.diariodonordeste.com.br/egidio/meio-ambiente/aeroporto-de-jericoacoara-a-19-km-da-praia/. Sobre isso, comentei em alguns sítios o seguinte:


 

Esse aeroporto deveria ser construído mesmo era em Sobral, que é a cidade mais desenvolvida e pólo da Zona Norte, que precisa de um aeroporto e que fica relativamente próxima à Jericoacoara. Outra, deviam abrir logo de uma vez uma rodovia de vergonha para que Jericoacoara não fique mais tão isolada. Penso nas pessoas que estiverem lá e precisarem de atendimento médico de urgência e emergência avançado. Como elas seriam transferidas para Sobral, ou mesmo para Fortaleza, sem estrada para as ambulâncias passarem??? "Abrir estrada causa impacto ambiental". Impacto ambiental??!! Que exemplo maior de impacto ambiental que a Transamazônica, além de um grande desperdício de verbas públicas???


 

- O custo de vida aqui não é tão baixo, mas o ganho em qualidade de vida e em salário, especialmente para algumas áreas, como a medicina, compensam. Por isso muitos médicos de outros Estados, e até de outros países, vêm morar e trabalhar aqui. Eu já avistei por aqui algumas caras conhecidas do passado, que devem ter se mudado para cá. Infelizmente, a cidade não é mais tão tranqüila como costumava ser. Os crescimentos desordenados da população e do tamanho da cidade geraram exclusão social, assim como em outros lugares. Este foi o preço do progresso (http://blogdocrato.blogspot.com/2009/10/sequelas-do-crescimento.html). Entretanto, o nível de violência aqui não se compara ao de Fortaleza. Por isso eu gosto tanto daqui e me sinto mais à vontade do que em Fortaleza.

- Já contamos com quatro hospitais, todos privados, mas três deles prestam serviços avançados ao SUS. Existe a promessa de um hospital a ser erguido pelo governo estadual, até o final de 2010. Comentarei sobre isto em outra ocasião.

- A vida noturna deixa a desejar. Ela se resume a alguns bares, restaurantes e, esporadicamente, alguns shows de forró e festas de aniversário de 15 anos. Havia uma boate que fechou, há cerca de dois anos.

- Há uma emissora da Jovem Pan FM na cidade, que detém grande audiência entre o público jovem, especialmente nas academias. Existe um projeto para instalação à curto prazo de uma emissora de TV na cidade. Já deveria ter ido ao ar este ano. Dizem que Sobral é um buraco onde as ondas eletromagnéticas fazem a curva e que isto teria facilitado o trabalho da equipe de Einstein em comprovar a Teoria da Relatividade aqui. Seria um jeito pejorativo de dizer que os sinais de rádio e de televisão não tem boa penetração, nesta área geográfica, requerendo equipamentos especiais, como antenas parabólicas para melhor captação. Não sei como era a situação, em termos de telecomunicações, por aqui, há onze anos, mas posso assegurar que aqui ninguém fica isolado do resto do mundo. A cidade é coberta pelas quatro maiores operadoras de telefones celulares do país, pelas maiores operadoras de TV por assinatura e já está disponível acesso à Internet 3G. Sobre as emissoras de rádio, não apenas de Sobral, mas do mundo em geral, gostaria de fazer uma postagem à parte.

- Sobre nossa rede hoteleira, não posso falar muito, devido à minha inexperiência. Quando eu vim aqui prestar vestibular, fiquei hospedado em hotéis mais simples, limpos, tranqüilos e satisfatórios. Os visitantes mais exigentes costumam dirigir-se a um hotel na Serra da Meruoca, há quinze ou vinte minutos de viagem a partir do centro.

- Por fim, considero indispensável falar sobre nosso maior calcanhar de Aquiles, motivo de chacota por parte dos que vivem em Fortaleza: nosso clima. Aqui, na maior parte do ano, especialmente de setembro à dezembro, o popular período dos "b-r-o-brós", faz calor quase todos os dias, o dia inteiro. A temperatura na sombra pode chegar à 38 graus. Apenas à noite alivia um pouco, mas continua quente. Engraçado é que já não sinto mais tanto calor quanto eu sentia, nas primeiras vezes em que estive aqui. Talvez eu já esteja aclimatado. Consigo até viver sem ar condicionado, coisa que não possuo em casa.


 


 

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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Postagem de 23102009

Retomando um dos temas da semana (http://conscienciaacademica.blogspot.com/2009/10/postagem-de-13102009.html), o alcoolismo é muito levado na brincadeira no Brasil. Por isso que as pessoas, desde cedo, dependendo do meio cultural e religioso em que vivem, são incentivadas por familiares, por amigos e pela mídia a tomarem como prática regular e deleitosa o consumo de bebidas alcoólicas. Parece um torneio. Homens de diversas idades bebem e são instigados a beber como se estivessem competindo para ver quem bebe mais e se embriaga menos. Acredite. Isso acontece. Conheço gente que bebe muitas garrafas de cerveja mas não apresenta sinais de embriaguez e ainda consegue dirigir. Eu sou fraco para bebida. Se eu botar um pingo de cerveja na boca, eu já me sinto alterado, com as mãos dormentes e com a sensação de que o ar ao redor está mais denso. Se for vinho, eu ainda tolero bem. Mesmo assim, bebo raramente. Evito a bebida ao máximo. Até porque, se eu começar a beber cerveja, sinto vontade de beber mais. É, meu amigo. Bebida é perigoso. Por mais amarga que seja, ela o induz a desgustá-la cada vez mais. Ela não prende pelo paladar, prende pelo neurônio. Bebo raramente. Se eu tiver de beber, só se for em casa, de preferência um bom vinho, e se eu tiver certeza de que não vou mais precisar sair de casa naquele dia. Eu dirijo, sabe. Evito dirigir se tiver posto uma gota de álcool na boca, não por medo de blitz, mas por mim, porque tenho plena consciência de que não tenho condições de dirigir, naquelas condições.


 

Continua...


 


 

Querido jaleco 2

Na última postagem, escrevi sobre o costume do jaleco, esse velho companheiro inseparável de muitos estudantes da área de saúde, muitas vezes por opção própria, desde os primeiros semestres dos cursos, como símbolo de status. Depois da formatura acabam sendo esquecidos.

Em diversos lugares do Brasil, há médicos que, de tão consagrados, se dão o luxo de trabalharem sem jalecos, acreditando que não precisam mais deles para ser reconhecidos como médicos. Às vezes, basta-lhes um estetoscópio pendurado no pescoço. Assim, esperam que todo mundo no hospital os cumprimente como se fossem políticos.

Isso me lembra um causo acontecido com um companheiro nosso, que, ao participar de um congresso de traumatologia, passou vergonha. Quase todos os presentes, inclusive outros estudantes de medicina, estavam de terno e gravata, enquanto ele, que estava de calça jeans, tênis e camisa casual, apresentou um trabalho científico assim mesmo, com as mãos nos bolsos quase o tempo todo, para espanto da banca examinadora. Se ele tivesse ao menos vestido um jaleco, teria ficado um pouco melhor caracterizado e aliviado a tensão no ambiente. Esse povo que talvez mal use jaleco ainda vem criticar as roupas do meu amigo. Como é que pode???

Vou investigar mais afundo essa história de jaleco. Quero saber como e onde tudo começou dessa tradição.


 


 


 


 

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Querido jaleco

Você deve estar lembrado de que, na postagem anterior (http://conscienciaacademica.blogspot.com/2009/10/monday-monday.html), eu disse que os médicos estão cada vez mais deixando de usar o jaleco no local de trabalho. Pois bem, ontem, estava eu tomando café-da-manhã no refeitório do hospital, quando um certo médico ginecologista, que eu não me lembro quando foi a última vez que o vi de jaleco, disse para outro médico que estava na mesa que, no seu tempo de interno, ninguém podia adentrar seu hospital-escola, nem mesmo o diretor do hospital, sem um crachá. Não sei por que ele falou isso. Eu só prestei atenção na conversa a partir do momento em que ele falou isso. Talvez porque tenha perguntado a alguém porque os internos não usam crachá. Então, pensei com meus botões, que, se há médicos que entram no hospital sem jaleco e que, se entrassem só de cueca, ninguém chiaria, imagine sem crachá.

Talvez esse desuso do jaleco tenha alguma influencia da série de TV "Dr. House". O protagonista, que atende pelo nome do programa, não usa jaleco, é antiético, mal-educado, frio, sarcástico, fanfarrão, faz o que lhe der na telha dentro do seu hospital e desmoraliza a diretora do lugar. Mesmo assim, ele desperta a tolerância entre os que estão ao seu redor e a simpatia dos telespectadores por conta de sua genialidade e criatividade. Mas não era bem sobre isso que eu queria teclar agora. Depois eu escrevo mais coisas interessantes sobre a série.

Voltando à questão dos jalecos, questionei duas autoridades cearenses em educação médica sobre a tradição do uso do jaleco, se ela deve ser mantida ou não. Eles me prometeram respostas em seus blogues http://preblog-pg.blogspot.com/, http://blogdomarcelogurgel.blogspot.com/ e http://blogdopg.blogspot.com/. Por sinal, eu já comentei sobre uma dessas autoridades em http://conscienciaacademica.blogspot.com/2008/07/podia-ser-um-blogueiro.html.

Eu fiz a eles as seguintes indagações:

"...o que os senhores pensam sobre o jaleco? Qual a importância de usar jaleco? Tenho observado que os médicos pouco a pouco estão querendo abolir o jaleco. Muitos médicos, em diversas especialidades, especialmente na psiquiatria, não usam mais ou nunca usaram jaleco em serviço. Nunca vi um psiquiatra usando jaleco em canto algum. Nas outras especialidades, como nefrologia, infectologia, gineco-obstetrícia, hematologia, reumatologia, neurologia, oncologia, entre outras, existem profissionais que não usam jaleco, enquanto os residentes e os internos são obrigados a suportar diariamente um "gibão branco" feito de tecido incompatível com nosso clima tropical, senão são barrados nas portas dos serviços. Em Sobral, já houve até "staff" passando visita na enfermaria calçando chinelos. Ai de mim se eu fizesse isso."

"Sobre o jaleco, o que os senhores acham? Devemos continuar militando em defesa deste costume para não permitir que ele sucumba nas próximas gerações de médicos, apesar de alguns acharem que não precisam mais dele para serem identificados como médicos? Da minha parte, vou manter este costume, independentemente de minha especialidade. Só não concordo com quem desfila de jaleco fora do ambiente de trabalho, transportando microorganismos."

Confira a resposta de um deles em http://blogdopg.blogspot.com/2009/09/o-uso-do-jaleco.html.

Para minha surpresa, encontrei uma referência ao meu blog em um dos blogues dos irmãos Gurgel (http://gurgel-carlos.blogspot.com/2008/08/mdicos-blogueiros-no-cear.html). Sinto-me honrado com isto. Só me resta conhecê-los pessoalmente. Obrigado.


 


 


 


 


 


 


 


 

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Monday monday


Segunda-feira é dia de ressaca. Dia de prestar contas dos excessos cometidos nos finais de semana por você ou pelos outros. Dia de expiação dos pecados. Dia de penitência, com trabalho e reflexão, após a passagem do domingo, que é dia da graça do Senhor.

Dito e feito. Pelo menos em parte. Eu já sabia que, nas manhãs de segunda, encontraria muito serviço, ao chegar à Emergência da Santa Casa de Misericórdia de Sobral. Entretanto, nunca imaginei que encontraria uma algazarra tal como encontrei ontem. Não pude deixar de registrar aquele momento. O ambiente estava mais abarrotado e barulhento que o habitual e qualquer um poderia se confundir com a barulheira, tropeçar nos pacientes e se perder lá naquela selva.




Nem todo mundo que estava lá cometeu excessos ou estava lá por vontade própria. Mas nem todo mundo que estava lá realmente precisava estar. Isto significa que a atenção primária na saúde ainda não está bem estruturada, principalmente em outros municípios do norte cearense.

Gente, se me permite a comparação, sala de emergência ou pronto-socorro não é para internar ou empilhar pacientes, assim como delegacia não é para guardar bandidos. Lugar de paciente hospitalar é na enfermaria, e de bandido é no presídio. Eu acho que já conversamos sobre isso (http://conscienciaacademica.blogspot.com/2009/10/postagem-de-08102009_08.html). Impressionante é que, segundo o livro "Agosto", de Rubem Fonseca, o Rio de Janeiro já enfrentava esses problemas, em 1954!!!

Quando cheguei a Sobral para cursar medicina, fiquei maravilhado com o hospital, achando que ele fosse melhor que os hospitais de Fortaleza, porque não havia gente deitada em macas nos corredores. É porque eu ainda não conhecia a sala de emergência. Foi decepção de mais. Na sala de aula da faculdade, aprendemos uma coisa. Em campo, vemos que tudo é quase que completamente diferente. Muitos médicos não agem da maneira como somos instruídos a agir e presumo que eles também foram instruídos assim, a começar pela crescente abolição do uso do jaleco e do decrescente altruísmo e compromisso em relação ao paciente. Talvez por isso a classe médica esteja se convertendo em alvo de pogrom promovido por elementos dos ministérios públicos e do poder judiciário. Gostaria de me aprofundar neste assunto em outra ocasião e estou pensando em criar um blog só para discutir essas questões de saúde pública.

Aproveitando o ensejo, como domingo passado foi Dia dos Médicos, se algum deles porventura passar por aqui, desejo que se sinta cumprimentado e que reveja minha postagem do ano passado relativa à data em http://conscienciaacademica.blogspot.com/2008/10/dia-do-mdico-retrasado-muita-falta-de.html.

Em homenagem à segunda-feira "negra", que foi o dia de ontem, 19 de outubro de 2009, que fechou com uma mulher, vítima de atropelamento, chegando aos prantos ao pronto-socorro e indagando pelo filho que estava com ela e infelizmente ele não resistiu, além de uma companheira nossa sendo assaltada na saída do hospital, vou postar aqui o clipe e a letra de uma música em homenagem à todas as segundas-feiras do mundo. Por sinal, essa canção aparece e inspira um livro que eu comentei em http://conscienciaacademica.blogspot.com/2008/02/dica-de-livro-1.html.



Bah-da bah-da-da-da
Bah-da bah-da-da-da
Bah-da bah-da-da-da

Monday, Monday, so good to me
Monday mornin', it was all I hoped it would be
Oh Monday mornin', Monday mornin' couldn't guarantee
That Monday evenin' you would still be here with me

Monday, Monday, can't trust that day
Monday, Monday, sometimes it just turns out that way
Oh Monday mornin' you gave me no warnin' of what was to be
Oh Monday, Monday, how could you leave and not take me

Every other day, every other day
Every other day of the week is fine, yeah
But whenever Monday comes, but whenever Monday comes
A-you can find me cryin' all of the time

Monday, Monday, so good to me
Monday mornin', it was all I hoped it would be
But Monday mornin', Monday mornin' couldn't guarantee
That Monday evenin' you would still be here with me

Every other day, every other day
Every other day of the week is fine, yeah
But whenever Monday comes, but whenever Monday comes
A-you can find me cryin' all of the time

Monday, Monday, can't trust that day
Monday, Monday, it just turns out that way
Oh Monday, Monday, won't go away
Monday, Monday, it's here to stay
Oh Monday, Monday
Oh Monday, Monday



Bah-da bah-da-da-da
Bah-da bah-da-da-da
Bah-da bah-da-da-da

Segunda, Segunda, tão boa pra mim
Manhã de Segunda, foi tudo que eu esperei que fosse
Oh manhã de Segunda, manhã de Segunda não poderia garantir
Aquela noite de Segunda você ainda estaria aqui comigo

Segunda, Segunda, não posso confiar naquele dia
Segunda, Segunda as vezes isso termina daquele jeito
Oh manhã de Segunda você não me deu sinal do que aconteceria

Oh manhã de Segunda como você pode partir e não me levar?

Todos outros dias, todos outros dias
Todos outros dias da semana está bem
Mas quando Segunda chega, Mas quando Segunda chega
Você pode me encontrar chorando o tempo todo

Segunda, Segunda, não posso confiar naquele dia
Segunda, Segunda as vezes isso termina daquele jeito
Oh Segunda, Segunda, não vá embora
Segunda, Segunda, aqui que é pra ficar



http://vagalume.uol.com.br/mamas-papas/monday-monday-traducao.html.


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quarta-feira, 14 de outubro de 2009

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Calma, não se assuste. Como estamos na semana do Dia da Criança, vou postar a seguir um texto escrito pela minha afilhadinha Ingrid, de 2 aninhos + 10 meses, que estava, ainda há pouco, dedilhando a esmo no teclado deste computador. Quando ela crescer, talvez ela nos traduza este texto:

Mmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm  mmmmmmmmm mmnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnhjjjjjujuuuuuuvgg juu.  Nvnnvnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnncnnnnnnnnmn nnnnnnnnnnnnnn nbnbnnbnbnvnnccn nvnvnnnvvvv vvvnvnvnvnvnvnvnvnvnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnvmv bbmmmmmmmn  mnmmmmmmmmmmmmmbmm mmb bbbbbbbbbbbbbbmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmkkkkvm   m mmmm m  nmmnnnnnn nnnnnnnnnnnnnnnnnnbnbnbnnnnmmnnnnn nnnnnnnnnnnnnnbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbnn   nbn mmm mm, llv nmmmmmmmmmmmbmnn     m mmm mnm,m m,,,,, .,,...  ; ,vvvvm ddfjjlç~[[guuop´´[[[huuuuuuuuukiioikooppppokkkklkknmnmnmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm  m  ,m.,,,,,.,,...mmm   n  n mmmmmmmnmmnnnkkjbnnnnn,,,,,,,,,,,,mmm,,,,nn mbbvvc vb nbmb nnmm,,.;;/ bb   vvxxsz\dhkjkll
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terça-feira, 13 de outubro de 2009

Postagem de 13.10.2009


Na noite passada, vi no Jornal da Globo uma matéria sobre o consumo de bebidas alcoólicas por adolescentes, em uma área turística de Fortaleza, que foi referida nos seguintes blogs:
Isso não me surpreende nem um pouco. Não é de hoje que isso acontece, não apenas em Fortaleza, mas em qualquer lugar do Brasil. Isso me fez lembrar um causo que chegou aos meus ouvidos, recentemente.
Reza a lenda que, em Sobral, um conceituado médico promoveu uma festa de aniversário em comemoração aos quinze anos de sua filha. Naquela festa, houve um intenso consumo de bebidas alcoólicas por parte de convidados muito jovens, pessoas que tinham a partir de doze anos de idade. Conta-se que o SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi acionado para o bufê onde se desenrolava a festa pelo menos duas vezes, porque havia jovens beirando o coma alcoólico. Apesar de o referido médico ser diretor de um hospital local e irmão de um ex-deputado estadual, que é filiado a um partido de oposição à atual gestão municipal, que é dono de uma emissora de rádio e de uma rede de postos de combustíveis, me surpreende que esse incidente não tenha sido divulgado pela imprensa local, nem se tornado um caso de polícia. Tudo bem. O coitado do médico não cometeu outro erro a não ser o de se omitir da responsabilidade de evitar que isso acontecesse. Para quem não sabe, o álcool em excesso pode causar arritmias. Se aqueles jovens tivessem sofrido arritmias, teria aquele médico conseguido fazer cateterismo em todos eles??? Para quem não sabe, cateterismo é o ato de passar um cateter por um grande vaso sanguineo até chegar ao coração e desobstruir um vaso entupido.
Agora me deu vontade de abrir uma reflexão sobre o mau atendimento prestado pelo SUS em Sobral. Mas acho melhor deixar isso para outra oportunidade. Nos próximos dias, darei continuidade a essa questão do alcoolismo.








segunda-feira, 12 de outubro de 2009

CRIANÇADA

Como está chegando mais um Dia das Crianças, aproveito a deixa para contar minhas reflexões sobre a infância.
Acreditaria se eu dissesse que, há alguns anos, eu assistia ao “Xou da Xuxa” e, quando a apresentadora entrava no seu disquinho voador para ir embora, eu chorava copiosamente??? Acreditaria se eu dissesse que eu era fissurado naquela loura e que eu e minhas irmãs convencemos nossos pais a comprarem quase todos os LPs que ela lançou, na década de 80??? Falando em comprar, meu pai, meu querido pai. Ele me comprou quase todos os brinquedos que eu via nos comerciais de TV e ia logo pedir a ele. Tive quase todos os bonecos dos personagens do desenho do He-Man. Eu nem merecia tanto. Até porque acho que não dei o devido valor a isso. Sou grato a ele e a minha mãezinha por tudo que fizeram por mim. Compensá-los-ei quando puder. Enquanto, na minha infância, eu tinha um bom padrão de vida, estudando em escola particular e ganhando brinquedos frequentemente, havia pessoas em minha família que não tinham de longe a mesma sorte que eu.
Enfim, eu e minha manas tivemos uma infância feliz, embora ela não tenha chegado perto daquilo que nossa imaginação preconizava.
Segundo minha avó, na verdade somos todos crianças enquanto nossos pais estão vivos. Querendo ou não, somos dependentes deles até o fim, porque temos alguém que sempre esteve perto de nós com quem contar. Quando eles nos deixam, ficamos verdadeiramente sós, com nossas raízes cortadas e nossos portos seguros destruídos. O seguinte trecho da canção “Filtro solar”, cujo clipe postei, no fim de 2008 (http://conscienciaacademica.blogspot.com/2008/12/edio-de-21-12-2008.html), retrata a importância de manter boas relações com os pais e com os irmãos desde a infância:

Dedique-se a conhecer os seus pais.
É impossível prever quando eles terão ido embora, de vez.
Seja legal com seus irmãos. Eles são a melhor ponte com o seu passado
e possivelmente quem vai sempre mesmo te apoiar no futuro.

      
Aproveitando que o assunto é infância, vi recentemente uma reportagem sobre o uso de celulares pelas crianças (http://g1.globo.com/Sites/Especiais/Noticias/0,,MUL1322773-17397,00-PAIS+E+ESCOLA+DEVEM+ESTIPULAR+LIMITES+NO+USO+DE+CELULARES+DIZEM+ESPECIALIST.html). Já havia teclado sobre isto aqui e sustento minha opinião em http://conscienciaacademica.blogspot.com/2008/12/edio-bombstica-de-26-12-2008.html. Menores de 18 anos não deviam portar celulares. É muita liberdade precoce para crianças e adolescentes e muito estímulo negativo ao consumismo.



quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Postagem de 08.10.2009 n° 2

Às vezes penso que estou fazendo o bem, mas, na verdade, posso estar fazendo mal a alguem. Nesta quinta, fui responsável por cerca de meia dúzia de internações na emergência do hospital em que estou estagiando. Por um lado, estou salvando-lhes as vidas. Por outro, estou submetendo-as à condições subumanas. É como se eu tivese acorrentado aqueles pacientes. Graças a mim, eles passarão a noite ao relento com seus familiares nos saguões e corredores da emergência, deittados em macas ou até mesmo sentados, enquanto eu vou para minha casa, onde vou jantar, tomar um banho, entrar no meu quartinho e dormir em minha caminha. Aqueles que estão nos corredores dos hospitais, nas delegacias e nos presídios gostariam de estar no meu lugar. Lamento e rezo por todos eles.
Esses hospitais de emergências por onde tenho passado muitas vezes parecem hospitais de campanha. Aqui deixo o mote. Vou me aprofundar sobre isto em outro momento.


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Postagem de 08.10.2009

Não sei se é bem verdade tudo o que a imprensa diz a respeito dos “sem-terra”. Em caso de resposta positiva, ainda que a causa deles seja legítima e a luta deles seja sincera, parece que desta vez, eles passaram dos limites. Se você quer se manifestar contra as injustiças e contra as desigualdades, destruir o que pertence àqueles que tem um pouco mais que você não é a melhor maneira. Se eu entro na mansão de um rico e destruo o que tem lá dentro só porque ele tem o que muita gente não tem, além de ser egoísta e invejoso, por achar que ele não tem direito de ter, estou me rebaixando ao mesmo nível de qualquer assaltante, que acha que o que faz é certo, que suas atitudes são um trabalho como qualquer outro, que aqueles que têm um celular melhor que o dele não têm o direito de tê-lo, que eles têm apenas a obrigação de compartilhar seus celulares e outros bens com ele. Enfim, nos acostumamos a permitir que, nesta sociedade, qualquer um consiga o que quer de graça, apenas com o uso da força, e que uma horda de parasitas opte por esse estilo de vida, vivendo às custas do que os outros pagam para que eles tenham. Voltarei a comentar sobre isto.
Foi uma atitude prepotente a do MST de invadir aquela fazenda e destruir várias laranjeiras. Ali estava patente que eram terras produtivas, que foram cultivadas por gente trabalhadora, honesta e decente. O proprietário das terras aparentemente não tem culpa de ter mais terras que muita gente. Não é tomando de quem tem e que aparentemente suou honestamente para ter que se vão resolver as desigualdades. Se eu, por exemplo, tenho um carro, um computador e um celular, eu trabalhei para tê-los. Tudo bem que muitos podem ter trabalhado mais que eu mas não têm o que eu citei, mas eu não tenho culpa se muitos moradores do Pirambu, em Fortaleza, não têm essas coisas. Seria injusto se me tomassem essas coisas e me deixassem no prejuízo, pois eu paguei por elas. Não quero com isso defender a propriedade privada, tampouco os interesses das elites. É apenas uma questão de justiça. “Daí a César o que é de César e à Deus o que é de Deus”. Voltarei a comentar sobre isto. Por hora, leiaesmo  direito de ter, estou me rebaixando ao ntra as desigualdades, destruir o que pertence :



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