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segunda-feira, 20 de outubro de 2008

DIA DO MÉDICO RETRASADO (MUITA FALTA DE PONTUALIDADE)

Estou publicando esta postagem em atraso por falta de tempo. Peço desculpas. Tive que pensar bastante em algo relevante para lembrar a data.

Bem, o que me vem de mais importante a declarar neste momento sobre a ocasião é que, coincidentemente, começou neste final de semana a maratona de concursos de residências médicas. No Ceará, foram realizadas as provas para os Programas de Residência Médica da nossa Universidade Federal. Você pode verificar na tabela abaixo o quadro de concorrências de cada especialidade. As que estão marcadas com SCMS são oferecidas na Santa Casa de Sobral, e as marcadas com HUWC, no Hospital das Clínicas, em Fortaleza. A mais concorrida é a radiologia, não sei explicar o motivo. Esperava que clínica ou cirurgia fossem mais concorridas por serem “trampolins” para outras especialidades. As especialidades baseadas em Sobral, com exceção de cirurgia, estão entre as menos concorridas. Dizem que os internos que se formam aqui em sua maioria não demonstram interesse em continuar os estudos aqui, sinal de que nossa faculdade e os programas de residência médica direta ou indiretamente associados a ela precisam amadurecer mais um pouco. Já tenho mais ou menos uma idéia da carreira que pretendo seguir, mas ainda não resolvi como e onde vou seguí-la. Sugiro que façamos uma corrente de oração e desejemos sucesso aos companheiros que estão pleiteando vagas nas residências médicas, neste fim de ano.

Só um adendo: para quem não sabe, residência médica é um tipo de curso de pós-graduação latu sensu, específico para os graduados em medicina, de caráter extremamente prático. Acredito que isto seja a principal diferença em relação aos cursos de especialização. Outras profissões da área de saúde, como Veterinária e Enfermagem, estão criando também seus programas de residência.

Também neste fim de semana, foi realizado em Salvador o Congresso Brasileiro de Educação Médica. O local foi escolhido por ser sede da primeira faculdade de medicina do Brasil, fundada há exatos duzentos anos, pelo rei Dom João VI de Portugal. Minha irmã está participando do congresso neste momento.
Falando em educação médica, escrevi esta postagem justamente para externar minha preocupação com o tema.

Sobral deve receber a partir do próximo ano uma filial do Medcurso. Para quem não sabe, trata-se de um curso preparatório para exames de admissão em residências médicas. Isto é bom, porque precisamos nos aperfeiçoar mais em nossa preparação e não ficarmos em desvantagem em relação aos estudantes de medicina das capitais. Para mim seria uma boa. Embora eu busque especialidades de acesso direto adequadas às minhas habilidades e minha personalidade e que sejam pouco concorridas, eu não posso ir à luta despreparado, preciso atingir um certo perfil mínimo para passar. Então, todas as semanas, recebo uma questão do site Portal Oráculo (Veja em http://www.portaloraculo.com.br/medicina/index.php) e posto a questão aqui. Tenho dificuldade em resolver a maioria das questões, embora já tenha visto o assunto.

Mas acho que isto merece uma reflexão. Você já se perguntou porque existem cursos como este??? Seria porque nossas faculdades de medicina não nos preparam adequadamente para o mercado de trabalho ou elas nos preparam mas nós é que não sabemos aproveitar??? Infelizmente, acho que a primeira opção é a mais próxima da realidade. Como dizia aquela propaganda da Justiça Eleitoral, quatro anos é muito tempo, principalmente quando as coisas vão mal. Mas para nós da saúde, seis anos ainda é pouco. Infelizmente, a faculdade não tem tempo suficiente para nos repassar todo o conhecimento que ela julgaria necessário. Então, ela seleciona o mais básico, o mais importante e o mais prevalente na sua região. Só para você ter uma noção, um dia desses, eu vi alguns internos estudando hepatologia, ou seja, doenças do fígado. Há uma disciplina do Medcurso dedicada exclusivamente ao assunto. Durante os quatro anos de sala de aula, nós só vemos doenças hepáticas da maneira diluída, em disciplinas como semiologia e gastroenterologia, por exemplo. Não sei se é realmente necessário saber todas as hepatopatias para as provas de residência, mas isto para mim já é um alerta de que deve estar faltando alguma coisa em nossa formação. No caso da minha escola, não temos a disciplina de anestesiologia. Talvez tenhamos visto alguma abordagem pontual sobre anestesias em farmacologia. Não me lembro bem. Acho que anestesiologia só se aprende mesmo no internato em cirurgia. De qualquer maneira, estamos em desvantagem em relação às escolas que possuem a disciplina de anestesiologia na grade curricular bem explícita. Também não temos uma disciplina de cirurgia. Vemos algumas noções básicas de cirurgia e algumas técnicas cirúrgicas nos módulos de gastroenterologia e de urgências médicas. Se precisa mais do que isto, não sei, mas devemos estar em desvantagem em relação a alguem.

Confesso que tenho medo do internato. Medo de chegar lá sem saber de nada. Medo de chegar lá perdido, sem saber o que fazer na hora “h” e passar vergonha. Medo de sair da faculdade com um diploma na mão e a cabeça vazia, ou seja, sem autoconfiança para exercer a medicina. Pensava que era o único indivíduo com este problema. Até que assisti a um vídeo institucional do Medcurso, com uma palestra de seu diretor, Dr. Cássio Engel. Ele fez uma descrição resumida de como está estruturada a grade curricular da maioria dos cursos de medicina de nosso país. Disse que, nos dois primeiros anos, o aluno, além de não ter muito contato com pacientes, ainda estuda coisas que terão pouca ou nenhuma relevância na prática clínica, como “contar patas de artrópodes”, por exemplo. No momento prefiro não questionar a existência das disciplinas do ciclo básico. Só sei que sem elas a medicina ficaria meio sem graça, principalmente sem a anatomia. Voltando à palestra, ele disse que o conhecimento ao longo do curso está bastante fragmentado, módulos ou cadeiras de especialidades um atrás do outro ou mesmo se atropelando uns aos outros e assim é normal que muitos acadêmicos cheguem ao internato sem o aprendizado adequado. Eles querem revisar o que aprenderam e o que não aprenderam mas encontram dificuldades, como a falta de tempo e de organização. Da minha parte, reconheço minha culpa. Reconheço que só estou estudando o suficiente para poder tirar notas boas e passar por média nos módulos. Depois, acabo esquecendo a maior parte do que aprendi. Bom saber que não estou sozinho nesta. Tudo bem que as palavras do Dr. Engel talvez tivessem alguma intenção mercadológica, mas para mim elas fazem algum sentido porque bateram com a minha realidade. Em suma, a educação médica em nosso país precisa ser repensada, pois os cursos preparatórios para programas de residência médica foram criados para suprir as carências das faculdades. Logo, penso que deveria haver um acordo entre esses cursos e as faculdades. Lamentavelmente, muitos professores das faculdades se referem aos cursos preparatórios com certo despeito, acusando-os de charlatanismo. Talvez eles sintam ciúmes ao pensar: “Por que meus alunos procuram esses cursos? Será que eles acham que minhas aulas para eles não servem para nada?”. Uns dizem que estudar para as provas da faculdade pelas apostilas do Medcurso é um ato de mediocridade. Eles não sabem que infelizmente a maioria dos livros médicos são didaticamente pobres e difíceis de ler, principalmente quando se dispõe de pouco tempo para a leitura. Outros racionalmente admitem que há pouco tempo para muita matéria. Tive exemplos de professores que não apenas recomendaram a apostila do Medcurso para suas especialidades como também elaboraram suas provas a partir de questões daquelas apostilas.

Enfim, sem fazer merchandising, já aderi a campanha da instalação do Medcurso em Sobral. Se ele realmente é necessário para nós ou não, já não se faz mais necessário discutir isto. Lembrando que o lugar certo para aprender medicina seria e deve continuar sendo a faculdade.

Para finalizar, declaro que, embora ainda não seja formado, sinto-me lisonjeado com qualquer homenagem prestada ao profissional no dia 18 de outubro. Portanto, deixo meus parabens pela data aos atuais médicos e aos futuros companheiros. Amém.


Seq Especialidade Vagas Quantidade Concorrência
1 Anestesiologia 2 45 22.5
2 Cardiologia 1 2 2
3 Cirurgia de Cabeça e Pescoço 1 1 1
4 Cirurgia do Aparelho Digestivo 1 10 10
5 Cirurgia Geral - SCMS 4 17 4.25
6 Cirurgia Geral - HUWC 4 49 12.25
7 Cirurgia Plástica 1 3 3
8 Cirurgia Vascular 1 4 4
9 Clínica Médica – SCMS 6 14 2.33
10 Clínica Médica (R3) 1 1 1
11 Clínica Médica – HUWC 9 99 11
12 Coloproctologia 1 13 13
13 Dermatologia 2 39 19.5
14 Endocrinologia 3 20 6.67
15 Endocrinologia Pediátrica(R3) 1 5 5
16 Gastroenterologia 2 8 4
17 Gastroenterologia(R3) 1 2 2
18 Gastroenterologia Pediátrica(R3)1 1 1
19 Mastologia 2 1 0.5
20 Medicina de Família e Comunidade2 5 2.5
21 Medicina Intensiva 2 9 4.5
22 Nefrologia 2 6 3
23 Neonatologia (R3) 5 5 1
24 Neurologia 2 12 6
25 Obstetrícia e Ginecologia – SCMS3 2 0.67
26 Obstetrícia e Ginecologia – HUWC9 44 4.89
27 Oftalmologia 2 26 13
28 Ortopedia e Traumatologia 2 19 9.5
29 Otorrinolaringologia 2 37 18.5
30 Pediatria – SCMS 3 1 0.33
31 Pediatria – HUWC 3 19 6.33
32 Psiquiatria 2 15 7.5
33 Radiologia 1 30 30
34 Reumatologia 1 5 5
35 Urologia 1 8 8


Veja a seguir algumas páginas alusivas a esta data:

• http://www.clicrbs.com.br/blog/jsp/default.jsp?source=DYNAMIC,blog.BlogDataServer,getBlog&&template=3948.dwt§ion=Blogs&post=114170&blog=378&coldir=1&topo=3994.dwt.

• http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=581968.

• http://www.armazemdesonhos.com.br/datasEspeciais/dia-medico/dia-medico.htm.

• http://portaldafamilia.org/datas/medico/diadomedico.shtml.


“Amor não se conjuga no passado; ou se ama para sempre, ou nunca se amou verdadeiramente.”
M. Paglia

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Um comentário:

Renata Maria Parreira Cordeiro disse...

Oi, meu querido:
Não apareceu em nenhum dos meus blogs hoje, estou com saudades. Aparece, vai. Já te adicionei.
Beijinhos da Renatinha